sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Após greve de colegas, universitário com surdez consegue intérprete


Aluno da PUC-GO já está sendo acompanhado por profissional em sala. Ele estava desde o dia 28 de setembro sem poder assistir às aulas. 


O aluno com deficiência auditiva do 4º período do curso de história da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), em Goiânia,  já está sendo acompanhado por uma intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras). No início da semana, os colegas de Rodrigo Nascimento Guedes, de 21 anos, fizeram uma paralisação em solidariedade ao jovem que desde o dia 28 de setembro estava sem ir às aulas por falta de um intérprete em sala para ajudá-lo a compreender o conteúdo.
De acordo com a representante da turma, Rosemeire Vaz, a nova intérprete já iniciou o trabalho na quinta-feira (19), dois dia após a reivindicação dos alunos. Segundo ela, a instituição foi acionada sobre o problema 30 dias antes do antigo intérprete sair, quando ele começou a cumprir aviso prévio. “Tivemos que fazer essa greve. Ou seja, ele ficou quase 30 dias, desde a saída do outro profissional, sem acompanhamento”.
A universidade informou que já tinha aberto vagas para o cargo. Porém, alega que mesmo diante da divulgação das mesmas, nenhum candidato havia se habilitado. A assessoria de imprensa informou também, na manhã desta sexta-feira (19), que a universidade já estava à procura do profissional e que ele seria contratado independentemente da paralisação dos alunos.
utra colega de Rodrigo, Heloiza Helena Leite, diz que acredita que a manifestação dos alunos tenha ajudado a divulgar o caso e a solucioná-lo: “Não tivemos a intenção de mostrar o lado negativo, mas apenas reivindicar um direito para que ele seja, de fato, garantido. Fico muito feliz que ele tenha conseguido”. No entanto, a estudante tem medo de que o colega volte a ficar sem o acompanhamento: “Agora, vamos ver na prática o que vai acontecer, se ela vai permanecer, se vai ser assegurado esse direito à acessibilidade”, argumenta.
Direito
De acordo com o artigo 23 do Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005, as instituições de educação superior “devem proporcionar aos alunos surdos os serviços de tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa em sala de aula e em outros espaços educacionais, bem como equipamentos e tecnologias que viabilizem o acesso à comunicação, à informação e à educação”.

Segundo a mãe de Rodrigo, Rosemeire Bento Nascimento Guedes, o filho perdeu 100% da audição aos dois anos, em decorrência da meningite. “Ele fica triste com a situação porque ele é muito esforçado. Trabalha e estuda para ser igual aos outros. Mas como ele não faz leitura labial, sem a intérprete fica difícil. Quando ele fez o vestibular, apresentou um laudo médico e a PUC sabia que estava recebendo um aluno com surdez”, lembra.